domingo, 29 de julho de 2018

Vamos tentar de novo

Desde Abril que não venho até aqui. Não estou curada, mas desde Abril que ando melhorzinha desta malfadada. Tenho aqueles dias, com altos e baixos. Mas comparando com aqueles meses chatos entre Novembro mais ao menos e fevereiro ando muito melhor.

Vitórias : Ida à praia ao fim do dia.
- Tenho-me forçado a sair todos os dias de casa, como tenho a fisioterapia é uma mais valia para a "obrigação". Por vezes venho da fisioterapia a pé sozinha ate meio do caminho.

- Ida a duas consultas sozinha, finalmente consegui e sem grandes medos fazer o caminho até ao psicólogo. Parece absurdo, mas desde que a ansiedade tomou conta da minha vida que não consigo andar sozinha para muitos sítios.  Nos piores meses nem conseguia sair de casa sem ser acompanhada. Recentemente consegui as consultas, consegui ir ao supermercado, ir buscar a mais nova, ir para o pilates.. sempre com aquela nuvem gigante a pairar-me o cérebro, mas lá fui!!

- A maior vitoria atingida foi conseguir ir ao Nos Alive. Tinha o bilhete comprado desde Dezembro, mas a evitar sempre este pensamento de me meter na confusão.
Quando o dia chegou até estava bem, no dia anterior comecei a hipnoterapia, estava bem e relaxada, mas o medo, aquele bicho papão sem motivo começou a tomar conta do meu cérebro, do meu corpo... e nestas alturas sinto-me tão fraca por deixar o bicho vencer-me.
Demorei 1hora a decidir se ia ou não, decidi que era melhor não, o cérebro dizia não, o coração dizia que sim que devia ir. Era uma oportunidade única, algo que sempre quis fazer, porquê evitar?
Mas evitei até à ultima. Só quando o meu excelentíssimo não conseguiu companhia é que me mentalizei que tinha de ir, não podia deixa-lo sozinho nesta demanda até porque ele tem-me acompanhado nos meus medos todos. Decidi ouvir o coração, sai de casa com lágrimas a cair tal era o medo. Mas medo de quê?
Estive numa guerra com o meu cérebro, perguntei-lhe imensas vezes "medo de quê? de seres feliz? de ires e gostares e ser uma marca na tua vida? medo de cumprires um sonho e depois não saberes que mais sonhos terás? Medo de quê?".
A resposta não veio, não tinha resposta lógica, só algo muito vago, algo que a ansiedade traz com ela..."e se".
"e se me dá um ataque de pânico?" - já tiveste vários, não morres. "mas o medo é tanto que parece que morro." - "mas não morres" , foi a conversa possível entre o meu cérebro saudável e o meu cérebro que fragilmente segura a razão.

"e se me sinto mal? E se me dá um ataque cardíaco? E se faço figuras tristes à frente daquelas pessoas todas? E se fico sem ar? "

Tantos ses, e sempre com a mesma resposta de que tudo isto pode acontecer ali como em casa, como no medico, como num hospital, como na China, na América, na Antártida, no Espaço... Mas mesmo com a minha frágil razão a explicar que tudo isto é possível o medo manteve-se.
Agarrei-me à terapia, ao sitio seguro que ela me criou na mente, à alavanca que reduz a ansiedade, ao rio com queda de água, que tem pedras pequeninas que magoa os pés mas num bom sentido. Que tem uma cama de rede presa a duas árvores gigantes cheias de folhas verdes. Onde a água é gelada e faz doer os pés, mas que ao mesmo tempo me faz sentir tão viva. Rodeada de árvores em forma de V , fechada a tudo e todos os que são de "fora". Um espaço só meu, cheio de montanhas, de pássaros que cantam, de céu azul limpo, de tempo ameno e sol que aquece o corpo. Vejo-me deitada na rede, a ler o meu livro de eleição actual. Sinto-me sozinha e sabe tão bem. Sinto-me em paz, o corpo relaxa e ajuda-me a ir à luta mais um bocadinho.

Passei a ponte, "sobrevivi". Chegamos ao estacionamento e toda eu era tonturas e sensação de formigueiro no corpo. "vais conseguir, respira, só mais um bocadinho. É uma oportunidade única, sempre quiseste ir a um concerto destes, respira.." .
Chegamos ao recinto, musica misturada, gente, demasiada gente. Mais musica que faz aquelas batidas no corpo parecidas com um coração meio descontrolado. "respira, está tudo bem, estás bem". Vagueamos pelo recinto, sempre com aquela falta de ar típica. Encontramos um sitio mais vazio, perto de uma porta de saída, com corrente de ar e decidi logo ali que aquele seria o meu passaporte caso desistisse. Nunca pensei mesmo em desistir, pensei sempre que se ja estava ali agora era só aguentar mais umas 2 a 3 horas. Não era muito, mas no fundo para a minha ansiedade era. Sentamo-nos no passeio junto da porta, relaxei o corpo a pensar que podia ir embora, que estava tudo bem. Mas fiquei. Comemos, comi o mínimo para nao ficar mal do estômago e piorar todos os sintomas ansiosos.
Chegou a hora do concerto, ok faltava uns 30 minutos, mas convinha ir com tempo, ver o recinto, ver como estava de gente. Até se estava bem, eu no meio da falta de ar, ate estava bem, aquilo estava a ser uma vitoria e tinha de me agarrar a isso!
O concerto começou, e entre faltas de ar e tonturas foquei-me na musica, decidi dançar, cantar, mesmo que mal e porcamente, sem saber a letra decidi cantar. E foi aqui que tudo começou a mudar.
Comecei a sentir que me estava a divertir, que mesmo ansiosa tinha chegado ali, que mesmo a sentir que ia desmaiar a qualquer momento e passar a maior vergonha da minha vida tinha conseguido estar ali. E depois chegou a musica "black" que adoro. Mas o meu ponto alto foi eles cantarem pink floyd, aquela musica que me acompanhou meses e meses a fio em altos berros no carro.
"Comfortably Numb" , a minha musica dos dias maus. E neste momento toda a ansiedade se foi, a guerreira adormecida em mim deve ter acordado naquele instante e todo o aperto no peito, dor, falta de ar simplesmente passou. Dai ate ao fim do concerto estive bem, no fim nao sai a correr como pensei fazer desde inicio. Nao evitei a confusão de gente à saida. Senti-me lá no alto da montanha, feliz. Tinha conseguido, estava feliz. fui para casa sem ansiedade, passei a ponte sem medo, cheguei a casa cansada mas com um sabor enorme de vitoria.
Mas depois vêm de novo a razão "ves... foi fixe, divertiste te, gostaste, conseguiste, porquê ter medo?". Claro que o meu cerebro continua a noa conseguir responder a isto, e continua com medo. Por vezes penso que terá sempre medo. Outras vezes penso que um dia vou ganhar esta luta e vou conseguir gozar a vida que a minha "familia" me privou, e que agora a "ansiedade" me anda a privar tambem.
Quero muito sair desta luta vitoriosa.
Ando a fazer por isso, por vezes com mais garra outras com menos garra, mas a continuar um passo de cada vez.

O proximo desafio será a caminhada a Santiago em Agosto. Já ando com dores de estomago.
Mas vai correr bem..

"i am the master of my fate, i am the capitain of my soul"
Invictus

Vamos tentar de novo

Desde Abril que não venho até aqui. Não estou curada, mas desde Abril que ando melhorzinha desta malfadada. Tenho aqueles dias, com altos e ...