quarta-feira, 28 de março de 2018

Primeira etapa - acordar cedo

Como trabalho em casa um dos meus maiores problemas era (ainda é, que isto não se muda de um dia para o outro) a proscratinação (que palavrão). Acordava super tarde, começava a trabalhar mais tarde ainda, e dava por mim a trabalhar de noite
Uma das mudanças que quero fazer é acordar cedo e sair logo da cama.
Vou na 2º semana e nem todos os dias o fiz, mas em geral acho que a coisa nem está a correr mal.
Convenhamos que para mim acordar cedo significa entre 8 e 9 horas da manhã!
Não sou uma moça matinal.. sorry.
Verdade seja dita, desde que saio da cama e faço algo, por mais pequeno que seja que a minha ansiedade abrandou um bocadinho.
Vamos ver se isto aos poucos vai lá!
Em compensação ando a derrapar de novo na comida... o bom é que me mentalizei que não consigo ser perfeita. Ando a forçar-me e estou na luta :D uns dias vai correr bem noutros mal.

Hoje por exemplo trabalhei. Depois do trabalho ainda fui "jardinar" para um cantinho que ali temos. Coloquei o IRS , que isto quanto mais cedo melhor para receber!! Separei as roupas que nao servem à mais nova e depois de a adormecer fui fazer orçamentos. Se isto não é de dar valor nao sei o que seja!!
Pensando que tive ai umas semanas que nem da cama saia o dia todo....
Digo-vos que tenho visto uns videos que me tem ajudado, chama-se Mel Robbins. Sim sim é uma coach, e eu nem gosto muito dessa gente, mas esta quando fala parece que sou eu ali, em tudo o que a senhora diz!!!
A regra dos 5 segundos funciona em algumas coisas. No levantar da cama tem funcionado. Na ansiedade ainda não vi grandes resultados, mas temos de pensar que isto demora. Treinar a mente que está "avariada" há anos demora o seu tempo.
Prometo ter paciencia comigo mesma!
Proxima etapa, sera deitar-me à meia noite. Hoje não é o dia ahahh.

Yoga- nem comento
Meditação - sim
Ansiedade - 4
3 coisas pelo qual estou grata hoje - Pelo dia de sol maravilhoso. Pelo trabalho no jardim enquanto ouvia os passaros. Pela ajuda da sogra.



terça-feira, 27 de março de 2018

Funeral

Se as pessoas ditas (dizem elas) normais odeiam funerais, nós ansiosos odiamos a triplicar.
Não lido bem com a morte, nunca lidei para ser verdade, em miúda questionava-me sobre o porquê de ter nascido. Entretanto tive uma fase em que dizia à minha avó que não pertencia a este mundo e que tinha tido outra vida. Contava mesmo pormenores da minha outra vida, ao que ela me respondia que eu tinha sonhado. Talvez tivesse, ou talvez não, deixo esta parte aos crentes ou não.
Mas voltando à morte.
Sempre me custou imenso perceber ou aceitar que andamos por aqui, sofremos , e depois vamos para sei lá eu onde.
Ando a aprender a lidar com tudo isto, sim estes dois meses quase, tenho feito muita coisa. Tenho metido na cabeça tudo o que quero "mudar" ou pelo menos aceitar e a morte é um caso bicudo que nem sei bem como tratar dela. É que este bicho papão vai acontecer um dia. Aliás é a única certeza que temos na vida.
Hoje tive um funeral, estive para não ir, toda eu tremia.
Quando ligaram para a mãe dele no domingo à noite, e ela atende com um "oh... não me digas... serio?", de repente recuei 9 anos, para aquele dia em que o meu irmão me ligou a dar a noticia que o meu pai tinha morrido.
Como assim morreu? Ninguém pode morrer aos 51 anos. Além disso eu estava chateada com ele, e ele comigo, como assim morre e nem dá para um perdão, para um "já não estamos chateados". Que raio de merda é esta?
Ora bem a chamada não foi bem isto mas foi algo como "anda rápido o pai morreu" e eu que tinha acabado de acordar com a chamada, sim, eram 5 da manhã só consegui dizer "estás a falar sério?" , acho que repeti isto umas 3 ou 4 vezes até que a minha cunhada, na sua calma (imagino por dentro) me diz ".. anda embora, ele morreu mesmo". Nessa manhã meti a minha capa de super heroína, uma cat woman, uma mulher maravilha, uma super mulher, nem sei que mais super heroínas por ai andam nesse mundo da Marvel, mas eu vesti-me delas todas. O meu irmão precisava de mim, afinal de contas ele era muito próximo do meu pai e nem imaginava como estaria.
Só perdi as estribeiras no enterro, nesse momento nenhuma capa me serviu, nenhum super poder me valeu, desfiz-me em dor, raiva, chateei-me com o mundo, com todos os que ali estavam naquele dia. Numa fração de segundos, passei de super heroína a uma menina pequenina, que mesmo não tendo afinidade com aquele pai, sentiu que a vida era uma linha fininha que a qualquer momento se quebraria para sempre.
Naquele dia o meu medo da morte passou a um autentico pavor.
Em 2 anos "enterrei" 4 pessoas da minha família, uma delas a minha avó que tinha sido a minha mãe.
Dela falo noutro dia, dela não ficou magoa nem dor, nem medo.

Mas voltando ao dia de hoje, só para que haja noção do meu medo, sonhei com o funeral. Acordei meio atordoada. Mas vesti a minha capa, respirei fundo, meditei antes de sair, levei o meu alprazolam caso não me aguentasse e lá fui.
Pelo caminho quase não falei, ou fico atenta à respiração ou falo. Falar faz gastar fôlego. O marido punha-me a mão na perna para eu saber que ele estava ali. Não ajudou, quando estou nesta fase nem gosto que me toquem, parece que o meu corpo ainda reage mais.
Cheguei lá ainda com a capa, mas mal pus os pés fora do carro já tinha os joelhos dormentes.
Cheguei à porta da capela, ainda com os joelhos adormecidos e a falhar, mas estava ali. Telemóvel na mão, phones prontos para aquela musica soft que me acalma. A mãe dele estava lá, "olha esta é a fulana x e aquela y" e eu só queria mesmo era dar um beijinho à prima dele e fugir, não me apetecia muito conhecer gente num funeral. As pessoas são para se conhecer fora destas cerimónias.
Lá me afastei e disse "ah vou dar um beijinho à---". Entro na capela, vejo o caixão e.. já não eram só os joelhos dormentes. Era o peito, os joelhos, as mãos, a cabeça.
Saio de lá, meto o sos à boca e phones nos ouvidos. Fui a tempo desta vez, sim que eu forço-me ao limite e por vezes a ansiedade passa ao pânico. Não chegou lá.

Ando por ali, feita barata tonta, inspira, expira, relaxa, e ouço uma velhinha "menina precisa de alguma coisa? está bem?" e todos nós temos aquela frase gravada no cérebro que já sai sem pensar "sim sim está , muito obrigada" sorriso 3890, já decorado para aquela ocasião e lá continuei a "furar" o chão de tanto andar para a frente e trás.

O medicamento lá fez efeito, mas a dormência continuava lá. Bendito comprimido (que odeio, mas nestas alturas nem sabe mal de todo) que me retirou toda aquela dor de cima. Lá me cheguei próximo de novo, afinal só queria dar um beijinho À prima dele para fugir dali. Mas tive de esperar. A cerimonia tinha começado... merda.
Inspira, expira, chega um amigo de família e encosta-se a falar. Inspira, expira, e outro amigo fala de caminhadas e um grupo que tem e eu devia ir. Sim, sim é interessante mas agora?
Inspira, expira , finalmente acaba a cerimonia. Entro na capela, tento evitar o contacto com o caixão, nesta fase já toda eu transpirava, mas o medicamento estava em alta no seu efeito. Dei um beijinho À prima dele, ela abraçou-me, eu a ela, e caramba... confesso que embora não tenha muita ligação com a prima dele, senti mesmo naquele momento, em que toda a ansiedade ficou em segundo plano que ela precisava mesmo daquele abraço.. e eu também. Respirei fundo. Engoli as lágrimas, disse lhe baixinho que não ia ao cemitério. Ficamos ali mais uns minutos com ela a chorar agarrada a mim e depois lá me vim embora.
Acho que ainda sinto aquele abraço tão sentido.

Cheguei a casa e em vez de me refugiar como sempre no sofá, fui ao jardim que aqui temos. Encostei-me ao nosso limoeiro, meti os phones, respirei fundo e fiquei ali a acalmar-me. Um pássaro pousou num galho mesmo ali, se esticasse uma mão chegava-lhe. Admirei-o, respirei fundo de novo, sorri e ele voou.

E foi mais um dia de uma luta, claro que amanhã será outro dia, e hei-de vencer isto!

Check do dia:


  • Meditação - feito
  • Yoga - Não
  • Sair de casa - feito
  • Sos - sim



segunda-feira, 26 de março de 2018

Início

Comecemos por uma breve história, do porquê de ter começado este blog.
Breve porque sinceramente se fosse a contar tudo, sairia daqui um livro, no mínimo com 300 páginas. Vai daí e seria mais uma "escritora" como muitas/os que do nada nasceram neste país, mas vamos tentar deixar esse trabalho para quem realmente tem jeito para escrever!!

Ando a pensar num blog há alguns anos, mais a sério este ultimo ano, primeiro porque o Psicólogo me aconselhou a escrever. Embora adore escrever em papel, confesso que me custa horrores escrever num papel em plena crise de ansiedade. Depois porque acho sempre que alguém daqui de casa vai ler o meu "diário" (so teenager) e não sei porquê mas a possibilidade disso acontecer deixa-me com um aquele sentimento de , não sei, é como se me senti-se nua.
Sei que aqui também me podem ler, mas na realidade quem me conhece? E não achamos sempre que é mais fácil falar com pessoas de fora? Tentar não custa, por isso vamos lá tentar.

Segundo porque acho mesmo que preciso escrever o meu dia-a-dia de ansiosa. Verdade é que a minha ansiedade existe há 4 anos e tal. Mas piorou muito, mas mesmo muito nestes últimos 2 anos.
"foi muita mudança junta" disse-me o psicólogo enquanto eu chorava naquele consultório, "tem de ter paciência tudo vai melhorar" , e ansiosa como sou penso logo que isto NUNCA há de melhorar.
Um dos tratamentos que ele me deu, além do conselho básico da medicação, que rejeitei (um dia explico), foi meditação. Andei a adiar este tratamento, não por não saber que ajuda porque já o tinha feito na gravidez. Mas sim porque não me sentia sequer capaz de me mexer para me ajudar a mim mesma. 

Há coisa de 2 meses desci muito fundo, crises todos os dias, 3 ataques de panico em poucos dias de diferença. Percebi que tinha mesmo de começar a mudar algo, nem que fosse devagar. Como se a palavra devagar existisse no dicionário de um ansioso. Acho que uma pessoa ansiosa se quisesse podia retirar mil palavras do dicionário, porque sinceramente é como se elas nao existissem. Ouvimos falar delas mas ignorámos, simples. Não é por mal, é mesmo porque nos é dificil aceitar que aquela "cura" ou aquela felicidade que tanto queremos demore a chegar. O sentimento é tão mau, que queremos a "cura" para ontem. 
Mas continuando para não me alongar, depois de todas aquelas crises decidi que tinha de mudar algo. Deixei de beber leite porque me fazia mal ao estomago, todos sabemos que tudo o que mexa com a parte gastrica traz ainda mais ansiedade. Desinchei tanto depois de deixar o leite, que percebi que todas as vezes que vomitava o leite em pequena talvez tivesse algum motivo de ser. Custou-me deixar o leite... sempre adorei beber leite... simples, temperatura normal, com chocolate, em cereais... ninguém me podia tirar o leite. Mas pronto lá teve de ser. 
Comecei a fazer yoga, em casa e junto com o yoga adapto a meditação ou então medito na cama, o que não ajuda muito pois adormeço logo. 
Passou um mes e meio desde estas pequeninas mudanças, não me sinto curada, mas sinto-me um bocadinho melhor. 
Não referi que a minha ansiedade é somática, diz o psicologo, confesso que ainda não fui pesquisar, mas pelo que ele me diz a minha ansiedade vem do que sinto no meu corpo. Um formigueiro, uma dor, um estalar de ossos... tudoooo. Por isso ainda mais dificil é gerir isto, até porque a idade não ajuda e no nosso corpo há sempre pequenas mazelas. 

A criação deste blog vem um pouco disto tudo, mas a ideia principal é aos poucos procurar a minha sanidade mental e ser feliz. Não quero se-lo todos os dias, mas quero muito sentir-me feliz. Quero olhar para as minhas filhas e sentir todo aquele calor cá dentro, quero poder sair à vontade e ir com elas a varios sitios. Quero sair com o meu marido. Quero sentir-me bem e sentir que quando faço as coisas as sinto e desfruto. A ansiedade estes dois anos retirou-me isso tudo. É como se a vida deixasse de ter sabor, é como se não existisse nem preto nem branco mas sim cinzento. Não disfruto nada, so sinto dores , ansiedade, aflição, desespero. 
Mas eu sei que vou vencer isto, ainda não sei bem como mas tenho algumas pequenas vitorias neste mes e meio. 

Bora lá começar isto!! 

A ansiosa quer ser feliz.

Vamos tentar de novo

Desde Abril que não venho até aqui. Não estou curada, mas desde Abril que ando melhorzinha desta malfadada. Tenho aqueles dias, com altos e ...