domingo, 29 de julho de 2018

Vamos tentar de novo

Desde Abril que não venho até aqui. Não estou curada, mas desde Abril que ando melhorzinha desta malfadada. Tenho aqueles dias, com altos e baixos. Mas comparando com aqueles meses chatos entre Novembro mais ao menos e fevereiro ando muito melhor.

Vitórias : Ida à praia ao fim do dia.
- Tenho-me forçado a sair todos os dias de casa, como tenho a fisioterapia é uma mais valia para a "obrigação". Por vezes venho da fisioterapia a pé sozinha ate meio do caminho.

- Ida a duas consultas sozinha, finalmente consegui e sem grandes medos fazer o caminho até ao psicólogo. Parece absurdo, mas desde que a ansiedade tomou conta da minha vida que não consigo andar sozinha para muitos sítios.  Nos piores meses nem conseguia sair de casa sem ser acompanhada. Recentemente consegui as consultas, consegui ir ao supermercado, ir buscar a mais nova, ir para o pilates.. sempre com aquela nuvem gigante a pairar-me o cérebro, mas lá fui!!

- A maior vitoria atingida foi conseguir ir ao Nos Alive. Tinha o bilhete comprado desde Dezembro, mas a evitar sempre este pensamento de me meter na confusão.
Quando o dia chegou até estava bem, no dia anterior comecei a hipnoterapia, estava bem e relaxada, mas o medo, aquele bicho papão sem motivo começou a tomar conta do meu cérebro, do meu corpo... e nestas alturas sinto-me tão fraca por deixar o bicho vencer-me.
Demorei 1hora a decidir se ia ou não, decidi que era melhor não, o cérebro dizia não, o coração dizia que sim que devia ir. Era uma oportunidade única, algo que sempre quis fazer, porquê evitar?
Mas evitei até à ultima. Só quando o meu excelentíssimo não conseguiu companhia é que me mentalizei que tinha de ir, não podia deixa-lo sozinho nesta demanda até porque ele tem-me acompanhado nos meus medos todos. Decidi ouvir o coração, sai de casa com lágrimas a cair tal era o medo. Mas medo de quê?
Estive numa guerra com o meu cérebro, perguntei-lhe imensas vezes "medo de quê? de seres feliz? de ires e gostares e ser uma marca na tua vida? medo de cumprires um sonho e depois não saberes que mais sonhos terás? Medo de quê?".
A resposta não veio, não tinha resposta lógica, só algo muito vago, algo que a ansiedade traz com ela..."e se".
"e se me dá um ataque de pânico?" - já tiveste vários, não morres. "mas o medo é tanto que parece que morro." - "mas não morres" , foi a conversa possível entre o meu cérebro saudável e o meu cérebro que fragilmente segura a razão.

"e se me sinto mal? E se me dá um ataque cardíaco? E se faço figuras tristes à frente daquelas pessoas todas? E se fico sem ar? "

Tantos ses, e sempre com a mesma resposta de que tudo isto pode acontecer ali como em casa, como no medico, como num hospital, como na China, na América, na Antártida, no Espaço... Mas mesmo com a minha frágil razão a explicar que tudo isto é possível o medo manteve-se.
Agarrei-me à terapia, ao sitio seguro que ela me criou na mente, à alavanca que reduz a ansiedade, ao rio com queda de água, que tem pedras pequeninas que magoa os pés mas num bom sentido. Que tem uma cama de rede presa a duas árvores gigantes cheias de folhas verdes. Onde a água é gelada e faz doer os pés, mas que ao mesmo tempo me faz sentir tão viva. Rodeada de árvores em forma de V , fechada a tudo e todos os que são de "fora". Um espaço só meu, cheio de montanhas, de pássaros que cantam, de céu azul limpo, de tempo ameno e sol que aquece o corpo. Vejo-me deitada na rede, a ler o meu livro de eleição actual. Sinto-me sozinha e sabe tão bem. Sinto-me em paz, o corpo relaxa e ajuda-me a ir à luta mais um bocadinho.

Passei a ponte, "sobrevivi". Chegamos ao estacionamento e toda eu era tonturas e sensação de formigueiro no corpo. "vais conseguir, respira, só mais um bocadinho. É uma oportunidade única, sempre quiseste ir a um concerto destes, respira.." .
Chegamos ao recinto, musica misturada, gente, demasiada gente. Mais musica que faz aquelas batidas no corpo parecidas com um coração meio descontrolado. "respira, está tudo bem, estás bem". Vagueamos pelo recinto, sempre com aquela falta de ar típica. Encontramos um sitio mais vazio, perto de uma porta de saída, com corrente de ar e decidi logo ali que aquele seria o meu passaporte caso desistisse. Nunca pensei mesmo em desistir, pensei sempre que se ja estava ali agora era só aguentar mais umas 2 a 3 horas. Não era muito, mas no fundo para a minha ansiedade era. Sentamo-nos no passeio junto da porta, relaxei o corpo a pensar que podia ir embora, que estava tudo bem. Mas fiquei. Comemos, comi o mínimo para nao ficar mal do estômago e piorar todos os sintomas ansiosos.
Chegou a hora do concerto, ok faltava uns 30 minutos, mas convinha ir com tempo, ver o recinto, ver como estava de gente. Até se estava bem, eu no meio da falta de ar, ate estava bem, aquilo estava a ser uma vitoria e tinha de me agarrar a isso!
O concerto começou, e entre faltas de ar e tonturas foquei-me na musica, decidi dançar, cantar, mesmo que mal e porcamente, sem saber a letra decidi cantar. E foi aqui que tudo começou a mudar.
Comecei a sentir que me estava a divertir, que mesmo ansiosa tinha chegado ali, que mesmo a sentir que ia desmaiar a qualquer momento e passar a maior vergonha da minha vida tinha conseguido estar ali. E depois chegou a musica "black" que adoro. Mas o meu ponto alto foi eles cantarem pink floyd, aquela musica que me acompanhou meses e meses a fio em altos berros no carro.
"Comfortably Numb" , a minha musica dos dias maus. E neste momento toda a ansiedade se foi, a guerreira adormecida em mim deve ter acordado naquele instante e todo o aperto no peito, dor, falta de ar simplesmente passou. Dai ate ao fim do concerto estive bem, no fim nao sai a correr como pensei fazer desde inicio. Nao evitei a confusão de gente à saida. Senti-me lá no alto da montanha, feliz. Tinha conseguido, estava feliz. fui para casa sem ansiedade, passei a ponte sem medo, cheguei a casa cansada mas com um sabor enorme de vitoria.
Mas depois vêm de novo a razão "ves... foi fixe, divertiste te, gostaste, conseguiste, porquê ter medo?". Claro que o meu cerebro continua a noa conseguir responder a isto, e continua com medo. Por vezes penso que terá sempre medo. Outras vezes penso que um dia vou ganhar esta luta e vou conseguir gozar a vida que a minha "familia" me privou, e que agora a "ansiedade" me anda a privar tambem.
Quero muito sair desta luta vitoriosa.
Ando a fazer por isso, por vezes com mais garra outras com menos garra, mas a continuar um passo de cada vez.

O proximo desafio será a caminhada a Santiago em Agosto. Já ando com dores de estomago.
Mas vai correr bem..

"i am the master of my fate, i am the capitain of my soul"
Invictus

terça-feira, 3 de abril de 2018

"Não podemos chegar ao topo da onda e ficar para sempre la"

Ouvi hoje está frase do meu psicólogo. Tive muita sorte no psicólogo que me calhou na rifa no sistema público. Desde a facilidade de falar com ele até á parte de ele dizer coisas que me fazem rir.
Esta semana não está nada fácil. Já recorri ao sos duas vezes e claro que me sinto um pouco derrotada. Tive duas semanas boas. Claro que a ansiedade existia mas conseguia contorna la bem.
Ontem e hoje foi muito difícil controlar e em conversa com ele saiu se com esta frase que me caiu como uma luva.
Não cheguei ao topo da onda desleixei me. Nunca mais voltei ao yoga. A meditação existia mas não com a mesma vontade. É sempre aquela sensação de " ah já estou boa ". Mas não estou. A ansiedade não tem cura por isso vou ter isto para sempre. Quando chegar ao topo da onda não posso deixar de fazer as coisas se não a queda e grande. Tenho sim de aprender a surfar no topo !! 😊
Vamos lá para a luta e recomeçar tudo de novo.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Oportunidades

Chamem lhe coincidência eu cá ainda não sei o que chamar mas, desde que ando a tentar mudar o meu pensamento para algo mais positivo que algumas coisinhas na vida se resolveram. A mais velha levantou as notas de una forma abismal. 5 negativas para nenhuma.
A mais nova começou a dormir melhor e na cama dela. Claro que ainda acorda uma ou outra vez mas pensando que a miúda me acordava as 16 vezes por noite ... Tenho mesmo de estar grata porque agora só se fica pela 1 ou 2.
Mas o engraçado desta caminhada e que , eu, que nunca ganho nada ganhei uma concurso em que i prêmio e 3 meses de nutricionista gratis.
Bem que andava a precisar mas a preguiça e o " para amanha" ganhavam me sempre. Então acho que a vida me empurrou e eu levo estas coisas muito a sério. Qual a probabilidade de ganhar algo nesta altura e ainda para mais algo que eu tenho noção que precisava mesmo?
Já me tinham dito que se estivermos atentos e focados no agora com pensamentos positivos a vida se ia resolvendo. Sou cética.  Não fosse eu una virgem assumida que tem de ver para crer. Um mês e meio de foco que nem sempre correu bem e ainda não está a 100 por cento mas bastou tão pouco para ver esta oportunidade como tem de ser vista.
Por isso vou mesmo aproveitar o que a vida me trouxe. E prometi a mim mesma que vou me esforçar ao maximo.
Sei que isto já começa a ser muita mudança junta e tudo junto às vezes não e facil. Mas vou tentar ao máximo focar me nas 3 coisas essenciais , meditação, yoga, alimentação correcta. Vai da í resro da vida vai se resolvendo sem eu saber ou dar conta 😊 .

Mudando de assunto só um bocadinho, hoje a ansiedade veio em força. Estou aqui na luta mas como tenho dormido mal pimba não está facil.
Mas ainda tenho meio dia para lutar. Vou acreditar que ganho mais esta!!

" sinto me imensamente grata pela oportunidade que a vida me deu de recomeçar "

domingo, 1 de abril de 2018

Páscoa

Xiii dois dias sem escrever. Já me vou martirizar por causa disto 😊 só que não !! Ando a mentalizar-me que não posso ser exigente comigo mesma e a perfeição não existe por isso, escrevo hoje E está tudo bem!
A verdade é que esta semana depois do ataque de pânico de domingo, o resto da semana foi de ansiedade ao rubro. Dias melhores dias piores mas a parte boa foi conseguir controlar tão bem os picos. Sinto me mesmo feliz por ter conseguido embora o sofrimento exista e a minha cabeça comece a divagar. Mas o conseguir deixar fluir em vez de prender tem sido um bom exercício.
Basicamente o exercício e " doi me o peito" E a cabeça começa em modo fórmula 1. Ataque cardiaco. Falta de ar. Problemas nos pulmões. Dores nas costelas. E por aí adiante. A minha ansiedade e muito mazinha porque quando tento pensar que está tudo bem aparece outro sintoma. Mas voltando ao exercício. Quando a cabeça começa neste descontrolo deixo o pensamento fluir. Deixo me sentir o que estou a sentir. Tenho a dor. Sinto A dor penso em algo negativo e deixo o pensamento ir e penso logo num positivo para limpar o mau que por ali passou. Isto não funciona sempre e e um reino diário mas tem resultado e tem ajudado na parte de sair de casa.
Também ajuda ter uma imagem boa para onde ir quando começamos numa espiral de pensamentos maus. Isso era algo que não conseguia. Não me imaginava em sítio nenhum bom. Até que me forcei e pensar num sitio. Forcei a todos os dias e várias vezes por dia a imaginar essa situação e tem melhorado.
Não treino todos os dias mas devia.
Também não tenho feito yoga todos os dias mas hoje voltei a fazer.
Isto é tudo armas que me tem ajudado e espero que consigam ajudar alguém.

Mas falando da Páscoa e da complicação que ainda é para mim estar com a família toda do marido. Sempre quis uma família unida mas verdade seja dita que nunca a tive. Quando conheci o meu respectivo senhor que percebi que tinha ali na família dele a tal família grande e unida que sempre quis. Fiquei feliz. Toda a minha expectativa cresceu naquele momento mas tudo caiu por água quando se juntam. O barulho e tanto que me dá picos de ansiedade. Ir para aquele amontoado de gente da me arrepios. Não está em questão se gosto ou não deles mas sim o barulho e o quanto isso me incomoda psicologicamente. Depois desta parte claro que começaram a haver outras. Quando souberam do meu problema começaram os julgamentos
Começou aquele olhar de " coitadinha tem problemas mentais". Ou então as típicas perguntas que nunca gostamos que nos façam. Mas hoje foi diferente mas porque defini que o ia ser.
Comecei o dia cheia de dores e com vontade de dormir. Apenas ficar ali deitada sem barulho sem filhos sem nada. Mas levantei me. Vesti a mais pequena. E forcei me a fazer o yoga.
Antes de sair meti na minha cabeça que ia correr bem.  Respirei fundo e disse para mim mesma que ia ser bom. Sempre que o pensamento mau aparecia deixava o passar e voltava a pensar " vai ser bom " .
Quando conto isto não quero mostrar que é fácil porque não é. Todo.o meu corpo tremia. Quando saímos fui o caminho todo a pensar " quero ir embora estou mal" Mas a verdade é que isto é algo que a nossa cabeça está habituada a pensar e pior que isso está habituada a que lhe demos ouvidos. A ideia é deixar o pensamento mas combate lo com outro bom. Enquanto pensava que estava mal fechava os olhos respirava fundo e ia para o meu sítio. O meu sítio sou eu a dançar na chuva. Quando este não funciona tenho o da minha mais nova feliz a sorrir numa praia e a darmos cambalhotas na areia. Quando este não funciona tenho l 3o que foi um momento que tive tão feliz que quando lá vou todo o meu corpo reage. E isto vai ajudando.
Temos / tenho de entender que comecei isto há coisa de um mês. Tenho também de ser gentil comigo mesma e pensar que um mês não e nada comparado a tantos anos d pensamentos negativos. Tenho de ser paciente e sei que também isso não é fácil mas estou na luta.
Chegados a casa da família dele lá começou o falar alto. E toda eu comecei na espiral. Por isso em vez de me focar no estou mal. Levantei me e fiz algumas saídas daquele sitio.
Berros, mau estar, respirar fundo, ir lá fora. Fiquei me no agora. Nos animais, nas flores, no céu limpo,  no dia quente. E entrei de novo.
Berros, mau estar, e de novo o mesmo treino mas desta levei a pequenina. Mostrei lhe as lagartixas. O gato. As galinhas. Peguei numa formiga e meti na mãozinha dela. Cheiramos as flores. Rimos. E voltei para dentro. Quando nos viemos embora há estava melhor dos picos de ansiedade. Permiti me a sensação de Vitória daquele momento.
Não digo que isto funciona sempre ou que vai funcionar sempre mas percebo que quanto mais treino melhor me sinto e mais fácil e controlar o bicho. Já passaram umas horas e o meu cérebro ainda teima que não estou bem. Mas esta parte já sabemos que é a mais difícil.

Resumo da Páscoa. Bons momentos em família. Mais uma pequenina Vitória. E montes de chocolates para a engorda 😂

Yoga - check
Meditação- check

quarta-feira, 28 de março de 2018

Primeira etapa - acordar cedo

Como trabalho em casa um dos meus maiores problemas era (ainda é, que isto não se muda de um dia para o outro) a proscratinação (que palavrão). Acordava super tarde, começava a trabalhar mais tarde ainda, e dava por mim a trabalhar de noite
Uma das mudanças que quero fazer é acordar cedo e sair logo da cama.
Vou na 2º semana e nem todos os dias o fiz, mas em geral acho que a coisa nem está a correr mal.
Convenhamos que para mim acordar cedo significa entre 8 e 9 horas da manhã!
Não sou uma moça matinal.. sorry.
Verdade seja dita, desde que saio da cama e faço algo, por mais pequeno que seja que a minha ansiedade abrandou um bocadinho.
Vamos ver se isto aos poucos vai lá!
Em compensação ando a derrapar de novo na comida... o bom é que me mentalizei que não consigo ser perfeita. Ando a forçar-me e estou na luta :D uns dias vai correr bem noutros mal.

Hoje por exemplo trabalhei. Depois do trabalho ainda fui "jardinar" para um cantinho que ali temos. Coloquei o IRS , que isto quanto mais cedo melhor para receber!! Separei as roupas que nao servem à mais nova e depois de a adormecer fui fazer orçamentos. Se isto não é de dar valor nao sei o que seja!!
Pensando que tive ai umas semanas que nem da cama saia o dia todo....
Digo-vos que tenho visto uns videos que me tem ajudado, chama-se Mel Robbins. Sim sim é uma coach, e eu nem gosto muito dessa gente, mas esta quando fala parece que sou eu ali, em tudo o que a senhora diz!!!
A regra dos 5 segundos funciona em algumas coisas. No levantar da cama tem funcionado. Na ansiedade ainda não vi grandes resultados, mas temos de pensar que isto demora. Treinar a mente que está "avariada" há anos demora o seu tempo.
Prometo ter paciencia comigo mesma!
Proxima etapa, sera deitar-me à meia noite. Hoje não é o dia ahahh.

Yoga- nem comento
Meditação - sim
Ansiedade - 4
3 coisas pelo qual estou grata hoje - Pelo dia de sol maravilhoso. Pelo trabalho no jardim enquanto ouvia os passaros. Pela ajuda da sogra.



terça-feira, 27 de março de 2018

Funeral

Se as pessoas ditas (dizem elas) normais odeiam funerais, nós ansiosos odiamos a triplicar.
Não lido bem com a morte, nunca lidei para ser verdade, em miúda questionava-me sobre o porquê de ter nascido. Entretanto tive uma fase em que dizia à minha avó que não pertencia a este mundo e que tinha tido outra vida. Contava mesmo pormenores da minha outra vida, ao que ela me respondia que eu tinha sonhado. Talvez tivesse, ou talvez não, deixo esta parte aos crentes ou não.
Mas voltando à morte.
Sempre me custou imenso perceber ou aceitar que andamos por aqui, sofremos , e depois vamos para sei lá eu onde.
Ando a aprender a lidar com tudo isto, sim estes dois meses quase, tenho feito muita coisa. Tenho metido na cabeça tudo o que quero "mudar" ou pelo menos aceitar e a morte é um caso bicudo que nem sei bem como tratar dela. É que este bicho papão vai acontecer um dia. Aliás é a única certeza que temos na vida.
Hoje tive um funeral, estive para não ir, toda eu tremia.
Quando ligaram para a mãe dele no domingo à noite, e ela atende com um "oh... não me digas... serio?", de repente recuei 9 anos, para aquele dia em que o meu irmão me ligou a dar a noticia que o meu pai tinha morrido.
Como assim morreu? Ninguém pode morrer aos 51 anos. Além disso eu estava chateada com ele, e ele comigo, como assim morre e nem dá para um perdão, para um "já não estamos chateados". Que raio de merda é esta?
Ora bem a chamada não foi bem isto mas foi algo como "anda rápido o pai morreu" e eu que tinha acabado de acordar com a chamada, sim, eram 5 da manhã só consegui dizer "estás a falar sério?" , acho que repeti isto umas 3 ou 4 vezes até que a minha cunhada, na sua calma (imagino por dentro) me diz ".. anda embora, ele morreu mesmo". Nessa manhã meti a minha capa de super heroína, uma cat woman, uma mulher maravilha, uma super mulher, nem sei que mais super heroínas por ai andam nesse mundo da Marvel, mas eu vesti-me delas todas. O meu irmão precisava de mim, afinal de contas ele era muito próximo do meu pai e nem imaginava como estaria.
Só perdi as estribeiras no enterro, nesse momento nenhuma capa me serviu, nenhum super poder me valeu, desfiz-me em dor, raiva, chateei-me com o mundo, com todos os que ali estavam naquele dia. Numa fração de segundos, passei de super heroína a uma menina pequenina, que mesmo não tendo afinidade com aquele pai, sentiu que a vida era uma linha fininha que a qualquer momento se quebraria para sempre.
Naquele dia o meu medo da morte passou a um autentico pavor.
Em 2 anos "enterrei" 4 pessoas da minha família, uma delas a minha avó que tinha sido a minha mãe.
Dela falo noutro dia, dela não ficou magoa nem dor, nem medo.

Mas voltando ao dia de hoje, só para que haja noção do meu medo, sonhei com o funeral. Acordei meio atordoada. Mas vesti a minha capa, respirei fundo, meditei antes de sair, levei o meu alprazolam caso não me aguentasse e lá fui.
Pelo caminho quase não falei, ou fico atenta à respiração ou falo. Falar faz gastar fôlego. O marido punha-me a mão na perna para eu saber que ele estava ali. Não ajudou, quando estou nesta fase nem gosto que me toquem, parece que o meu corpo ainda reage mais.
Cheguei lá ainda com a capa, mas mal pus os pés fora do carro já tinha os joelhos dormentes.
Cheguei à porta da capela, ainda com os joelhos adormecidos e a falhar, mas estava ali. Telemóvel na mão, phones prontos para aquela musica soft que me acalma. A mãe dele estava lá, "olha esta é a fulana x e aquela y" e eu só queria mesmo era dar um beijinho à prima dele e fugir, não me apetecia muito conhecer gente num funeral. As pessoas são para se conhecer fora destas cerimónias.
Lá me afastei e disse "ah vou dar um beijinho à---". Entro na capela, vejo o caixão e.. já não eram só os joelhos dormentes. Era o peito, os joelhos, as mãos, a cabeça.
Saio de lá, meto o sos à boca e phones nos ouvidos. Fui a tempo desta vez, sim que eu forço-me ao limite e por vezes a ansiedade passa ao pânico. Não chegou lá.

Ando por ali, feita barata tonta, inspira, expira, relaxa, e ouço uma velhinha "menina precisa de alguma coisa? está bem?" e todos nós temos aquela frase gravada no cérebro que já sai sem pensar "sim sim está , muito obrigada" sorriso 3890, já decorado para aquela ocasião e lá continuei a "furar" o chão de tanto andar para a frente e trás.

O medicamento lá fez efeito, mas a dormência continuava lá. Bendito comprimido (que odeio, mas nestas alturas nem sabe mal de todo) que me retirou toda aquela dor de cima. Lá me cheguei próximo de novo, afinal só queria dar um beijinho À prima dele para fugir dali. Mas tive de esperar. A cerimonia tinha começado... merda.
Inspira, expira, chega um amigo de família e encosta-se a falar. Inspira, expira, e outro amigo fala de caminhadas e um grupo que tem e eu devia ir. Sim, sim é interessante mas agora?
Inspira, expira , finalmente acaba a cerimonia. Entro na capela, tento evitar o contacto com o caixão, nesta fase já toda eu transpirava, mas o medicamento estava em alta no seu efeito. Dei um beijinho À prima dele, ela abraçou-me, eu a ela, e caramba... confesso que embora não tenha muita ligação com a prima dele, senti mesmo naquele momento, em que toda a ansiedade ficou em segundo plano que ela precisava mesmo daquele abraço.. e eu também. Respirei fundo. Engoli as lágrimas, disse lhe baixinho que não ia ao cemitério. Ficamos ali mais uns minutos com ela a chorar agarrada a mim e depois lá me vim embora.
Acho que ainda sinto aquele abraço tão sentido.

Cheguei a casa e em vez de me refugiar como sempre no sofá, fui ao jardim que aqui temos. Encostei-me ao nosso limoeiro, meti os phones, respirei fundo e fiquei ali a acalmar-me. Um pássaro pousou num galho mesmo ali, se esticasse uma mão chegava-lhe. Admirei-o, respirei fundo de novo, sorri e ele voou.

E foi mais um dia de uma luta, claro que amanhã será outro dia, e hei-de vencer isto!

Check do dia:


  • Meditação - feito
  • Yoga - Não
  • Sair de casa - feito
  • Sos - sim



segunda-feira, 26 de março de 2018

Início

Comecemos por uma breve história, do porquê de ter começado este blog.
Breve porque sinceramente se fosse a contar tudo, sairia daqui um livro, no mínimo com 300 páginas. Vai daí e seria mais uma "escritora" como muitas/os que do nada nasceram neste país, mas vamos tentar deixar esse trabalho para quem realmente tem jeito para escrever!!

Ando a pensar num blog há alguns anos, mais a sério este ultimo ano, primeiro porque o Psicólogo me aconselhou a escrever. Embora adore escrever em papel, confesso que me custa horrores escrever num papel em plena crise de ansiedade. Depois porque acho sempre que alguém daqui de casa vai ler o meu "diário" (so teenager) e não sei porquê mas a possibilidade disso acontecer deixa-me com um aquele sentimento de , não sei, é como se me senti-se nua.
Sei que aqui também me podem ler, mas na realidade quem me conhece? E não achamos sempre que é mais fácil falar com pessoas de fora? Tentar não custa, por isso vamos lá tentar.

Segundo porque acho mesmo que preciso escrever o meu dia-a-dia de ansiosa. Verdade é que a minha ansiedade existe há 4 anos e tal. Mas piorou muito, mas mesmo muito nestes últimos 2 anos.
"foi muita mudança junta" disse-me o psicólogo enquanto eu chorava naquele consultório, "tem de ter paciência tudo vai melhorar" , e ansiosa como sou penso logo que isto NUNCA há de melhorar.
Um dos tratamentos que ele me deu, além do conselho básico da medicação, que rejeitei (um dia explico), foi meditação. Andei a adiar este tratamento, não por não saber que ajuda porque já o tinha feito na gravidez. Mas sim porque não me sentia sequer capaz de me mexer para me ajudar a mim mesma. 

Há coisa de 2 meses desci muito fundo, crises todos os dias, 3 ataques de panico em poucos dias de diferença. Percebi que tinha mesmo de começar a mudar algo, nem que fosse devagar. Como se a palavra devagar existisse no dicionário de um ansioso. Acho que uma pessoa ansiosa se quisesse podia retirar mil palavras do dicionário, porque sinceramente é como se elas nao existissem. Ouvimos falar delas mas ignorámos, simples. Não é por mal, é mesmo porque nos é dificil aceitar que aquela "cura" ou aquela felicidade que tanto queremos demore a chegar. O sentimento é tão mau, que queremos a "cura" para ontem. 
Mas continuando para não me alongar, depois de todas aquelas crises decidi que tinha de mudar algo. Deixei de beber leite porque me fazia mal ao estomago, todos sabemos que tudo o que mexa com a parte gastrica traz ainda mais ansiedade. Desinchei tanto depois de deixar o leite, que percebi que todas as vezes que vomitava o leite em pequena talvez tivesse algum motivo de ser. Custou-me deixar o leite... sempre adorei beber leite... simples, temperatura normal, com chocolate, em cereais... ninguém me podia tirar o leite. Mas pronto lá teve de ser. 
Comecei a fazer yoga, em casa e junto com o yoga adapto a meditação ou então medito na cama, o que não ajuda muito pois adormeço logo. 
Passou um mes e meio desde estas pequeninas mudanças, não me sinto curada, mas sinto-me um bocadinho melhor. 
Não referi que a minha ansiedade é somática, diz o psicologo, confesso que ainda não fui pesquisar, mas pelo que ele me diz a minha ansiedade vem do que sinto no meu corpo. Um formigueiro, uma dor, um estalar de ossos... tudoooo. Por isso ainda mais dificil é gerir isto, até porque a idade não ajuda e no nosso corpo há sempre pequenas mazelas. 

A criação deste blog vem um pouco disto tudo, mas a ideia principal é aos poucos procurar a minha sanidade mental e ser feliz. Não quero se-lo todos os dias, mas quero muito sentir-me feliz. Quero olhar para as minhas filhas e sentir todo aquele calor cá dentro, quero poder sair à vontade e ir com elas a varios sitios. Quero sair com o meu marido. Quero sentir-me bem e sentir que quando faço as coisas as sinto e desfruto. A ansiedade estes dois anos retirou-me isso tudo. É como se a vida deixasse de ter sabor, é como se não existisse nem preto nem branco mas sim cinzento. Não disfruto nada, so sinto dores , ansiedade, aflição, desespero. 
Mas eu sei que vou vencer isto, ainda não sei bem como mas tenho algumas pequenas vitorias neste mes e meio. 

Bora lá começar isto!! 

A ansiosa quer ser feliz.

Vamos tentar de novo

Desde Abril que não venho até aqui. Não estou curada, mas desde Abril que ando melhorzinha desta malfadada. Tenho aqueles dias, com altos e ...